| Para começar, por
que precisamos de um calendário? Isto é fácil: para lembrar as datas
importantes das festividades, saber com antecedência o dia de nosso
aniversário e, especialmente, para indicar o dia do bar e bat mitsvá, e
ter um sistema para datar correspondências, cheques, contas e muitas
outras coisas. O calendário judaico é mais antigo que o gregoriano; existe há mais de 3300 anos, quando D'us mostrou a Moisés a Lua Nova, no mês de Nissan, duas semanas antes da libertação dos filhos de Israel do Egito, no ano 2448 após a Criação do mundo. A partir dessa época, o povo judeu recebeu um calendário especial, diferente dos outros já existentes. De que modo este calendário se distingue? O calendário judaico é lunissolar, i.e., os meses seguem as fases da Lua, porém leva-se em conta as estações do ano. O mês lunar compreende o tempo que decorre de um Novilúnio até o próximo, consistindo de 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3,33 segundos. Como é impossível incluir num mês períodos fracionados como meios dias, horas e minutos, calculamos normalmente os meses de 29 e 30 dias, alternadamente. Desta forma resolve-se o problema das 12 horas excedentes que, uma vez são abatidas do mês de 29 dias e outra vez acrescidas no mês de 30 dias. Mas conforme já verificamos, os períodos lunares abrangem além das 12 horas referidas, também uma fração de cerca de 44 minutos. Surge então a necessidade de resolver este problema adicional. Além disso, seria muito complicado que o dia santificado de Yom Kipur caísse no dia antes ou depois do Shabat; se o Yom Kipur fosse na sexta-feira ou no domingo, teríamos dois dias consecutivos proibindo qualquer tipo de trabalho, inclusive a preparação dos alimentos e, em caso de morte, não haveria enterro por dois dias e de acordo com a Lei Judaica, não poderíamos retardar o funeral.Para solucionar essas questões, adiciona ou subtrai-se um dia em determinados anos, para Yom Kipur nunca cair numa sexta-feira ou num domingo, e que outras festividades também não caiam em certos dias da semana. Deste modo fica resolvido o problema dos 44 minutos que sobram. Chamamos sua atenção para o fato de que é possível saber se qualquer um dos meses será completo (com 30 dias) ou incompleto (com 29 dias), observando-se a data de Rosh Chôdesh do mês seguinte. Se houver dois dias de Rosh Chôdesh, significa que o mês que termina é completo; assim sendo o trigésimo dia é sempre o primeiro dia de Rosh Chôdesh do próximo mês. Quando um só dia é Rosh Chôdesh, o mês que acaba tem somente 29 dias. Quando tudo parece resolvido satisfatória e acertadamente, ainda é preciso da matemática, pois as dúvidas continuam. Como já mencionamos, o calendário judaico baseia-se nas fases da Lua, diferente do calendário gregoriano que segue a rotação do Sol. Afirmamos também que podemos ter 29 ou 30 dias em cada mês do calendário judaico, mas nunca menos ou mais. Um ano no calendário judaico tem 354 dias; ou seja, o ano lunar tem onze dias menos do que o ano solar, que tem aproximadamente 365 dias. Se por acaso nos ocorre perguntar: qual é a importância disto? Aconteceria o seguinte: as festividades, neste caso, caminhariam para trás, cerca de onze dias em cada ano, até que a festa de Pêssach, que deveria ser celebrada na primavera (considerando as estações em Israel), cairia no meio do inverno; e Sucot que é no outono, seria em pleno verão, etc. Porém a Torá nos exige comemorar cada festividade na respectiva estação; por isso não ignoramos o sistema solar que determina as quatro estações do ano e não podemos deixar os onze dias e as frações para trás. A solução é fazer com que estes se acumulem até inteirar um mês, quando então adicionamos esse mês ao ano lunar. Assim é que nestes referidos anos temos dois meses de Adar: Adar I e Adar II. Este ano é denominado embolísmico. Até aqui expusemos de um modo simples o mecanismo do calendário judaico, mas ainda há algumas informações suplementares. O ano do calendário judaico se compõe de 354 dias dividido em doze meses de 29 e 30 dias alternadamente. Tal ano é denominado "regular". Mas como já explicamos acima, em alguns anos deve-se acrescentar ou subtrair um dia de um dos meses. Este dia é adicionado ao mês de Cheshvan (30 no lugar dos costumeiros 29); então o ano é chamado de "completo". Quando o dia é subtraído, é retirado do mês de Kislev (29 dias no lugar do normal 30) e o ano é chamado de "incompleto". Assim, o ano normal de 12 meses poderá ter 353, 354 ou 355 dias, enquanto o ano embolísmico teria 383, 384 ou 385 dias. Veja a seguinte tabela: | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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| O calendário judaico é reorganizado em pequenos ciclos de dezenove anos, cujas datas se coincidem com as do calendário gregoriano. Os anos embolísmicos são formados no terceiro, sexto, oitavo, décimo-primeiro, décimo-quarto, décimo-sétimo e décimo-nono anos desse ciclo. Há mais de 1600 anos, nossos sábios do Talmud, que não contavam com o auxílio de computadores, calculadoras ou outros aparelhos sofisticados, deixaram por escrito o cálculo das datas do calendário judaico até o ano 6000 da Criação do mundo, que corresponde a 30 de setembro de 2239. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Blog destinado aos Judeus e Bnei Anussim na Paraíba, do litoral ao sertão, que buscam compreender suas origens. Para tanto buscamos trazer diversas matérias sobre história dos judeus e "marranos", na Europa e no Brasil, o estudo da Torá, bem como as demais literaturas que compõe o judaísmo em sua plenitude. (messiânicos, messigélicos e evangélicos não terão espaço aqui para proselitismo!) SHALOM ALEICHEM!
INFORMAÇÕES IMPORTANTES
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Informações do Grupo de Estudo em João Pessoa/PB
E-mail: hugolwborges@gmail.com
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Responsável: Moré Hagai Ben Yossef Borges
terça-feira, 3 de setembro de 2013
O Calendário Judaico
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Recebendo de volta os Anussim
Uma Teshuvá Haláchica do Rabino David A. Kunin
Como todos os homens judeus, aqueles anussim que desejam retornar devem ser circuncidados ou passar por hatafát dám brit, usando as mesmas bênçãos utilizadas para o brit milá no oitavo dia após o nascimento de um menino judeu.
É uma obrigação de todos os judeus alcançar os nossos irmãos e irmãs da comunidade de anussim a fim de facilitar o retorno à comunidade judaica de todo aquele que desejar retornar.
David Kunin é rabino do Templo Ohr Shalom em San Diego, uma congregação com muitos membros cripto-judeus
Esta manhã minha apresentação será dividida em cinco secções. Na primeira examinarei as responsas rabínicas existentes. Na segunda voltarei aos elementos das leis de conversão conforme elas afectam os anussim. Na terceira examinarei dois temas de status. Na quarta examinarei alguns temas extra-haláchicos relevantes à decisão de fazer o processo. Finalmente, apresentarei minhas visões de como eu espero que a halachá irá se desenvolver no futuro.
Ano passado, na minha apresentação apresentada no encontro de Pueblo, examinei as principais tendências encontradas nas responsas ashkenazis e sefaradis acerca do retorno dos convertidos forçados (ao cristianismo e ao islamismo) para o judaísmo. Aquela apresentação pretendia apresentar um exame histórico da opinião rabínica e como esta se desenvolveu com o passar do tempo. Este ano, embora eu discuta muitos dos mesmos textos rabínicos, meu papel serve a uma função muito diferente. Em vez de simplesmente apresentar e examinar as fontes judaicas legais do passado, esta apresentação pretende ser uma teshuvá (responsa) haláchica à qual espero que seja um início para uma nova responsa judaica legal para o presente.
Dentro da tradição legal rabínica, os rabinos quase sempre emitem decisões haláchicas (legais) como responsas para perguntas a eles enviadas por pessoas seculares ou até mesmo por outros rabinos. As perguntas são denominadas sheelot, e as respostas teshuvot; a literatura como um todo é denominada responsa haláchica. As teshuvot (respostas) podem ser respostas curtas e simples a uma pergunta, ou podem ser respostas elaboradas; ambas apresentam respostas à questão e as fontes sobre as quais a resposta está baseada. As opiniões haláchicas em geral estão constituídas de precedentes, construídas sobre as decisões e opiniões do passado. Porém, elas não se limitam às opiniões maioritárias de qualquer geração, mas nas palavras da Mishná, que pode seleccionar até mesmo uma opinião minoritária ou uma opinião individual de um rabino do passado. Dito isto, devo acrescentar que esta apresentação representa a minha opinião pessoal como um rabino individual acerca das perguntas feitas, e de forma alguma está vinculada à minha congregação ou ao movimento Conservativo. Agora devemos retornar à pergunta feita nesta responsa haláchica; quais são os requisitos judaicos legais para o retorno dos anussim, os cripto-judeus, para a integração à comunidade judaica religiosa? Embora esta pergunta possa não parecer relevante, justa ou tampouco razoável para muitos anussim, é uma pergunta essencial dentro da formatação legal judaica. Em essência, está relacionada à questão do status básico: Quem é judeu, e quais são os elementos essenciais da identidade judaica? As respostas dadas a esta pergunta afectarão cada aspecto da participação no seio da vida religiosa judaica, desde a participação na sinagoga ao matrimónio com outro judeu.
Antes de apresentar a minha própria resposta, examinaremos duas teshuvot modernas, responsas rabínicas que, de forma estrita, também encaminham a questão das exigências para o retorno dos anussim. A primeira destas foi escrito pelo rabino Mordechai Eliahu (1994), ex-Rabino-Chefe sefaradí de Israel, e a segundo pelo rabino Aaron Soloveichik (1994), Rosh Yeshiva do Brisk Rabbinical College de Chicago. Ambos são proeminentes rabinos ortodoxos.
Ambas as teshuvot foram escritas como respostas para perguntas submetidas pela Dra. Shulamith Halevy, e publicadas no website dela. *A teshuvá do rabino Eliahu é muito simples e directa; ele declara que os seguintes passos são exigidos para o retorno de um anús ao povo judeu: "Após a conclusão de todos os passos de estudo da Torá, a aceitação do jugo da Torá e seus mandamentos, a circuncisão e a imersão, ele deveria receber um certificado com o título, `Certificado para ele/ela que retornou aos caminhos dos seus antepassados". Em outras palavras, além do certificado, Eliahu impõe todas as exigências de conversão ao anús em processo de retorno. Eliahu explica que estas exigências são necessárias por causa do longo tempo desde as conversões forçadas, e por causa da preocupação acerca doas casamentos inter-religiosos por sucessivas gerações. Porém, talvez o aspecto mais notável da teshuvá de Eliahu é a sua aceitação da conexão judaica dos anussim, apesar do longo tempo e das suas dúvidas relativas á linha matrilinear de descendência. Ao falar dos rituais exigidos ele usa termos de retorno em vez de conversão, e como notado acima, o certificado que ele acredita que deveria ser emitido não é um "Certificado de Conversão", mas em vez disso, um "Certificado de Retorno". Por outro lado, a responsa de Soloveichik também pode ser curta, mas não é nada simples. Inicialmente ele declara: "Eles (os anussim) devem ser tratados como judeus plenos em todos os sentidos (contados para um minián, receberem aliot, etc.)". Os rituais escolhidos são importantes, porque ambas as mitsvot (observâncias religiosas) exigem que o participante seja tão obrigado pela lei judaica como os demais participantes do serviço religioso. Ao permitir que os anussim as realizem, sem qualquer conversão ou ritual de retorno da parte de uma congregação, é um reconhecimento explícito e público de que eles são completamente judeus. Todavia, em seguida ele nega a inserção deles na comunidade de todas os modos, medidas ou formas, ao exigir conversão plena se o anús desejar se casar dentro da comunidade judaica. Diferente de Eliahu, Soloveichic usa explicitamente o termo conversão em lugar de retorno: "Ele ou ela têm que passar por conversão plena". Esta exigência ritual usando o termo "conversão" contradiz a sua contenção anterior de identidade judaica dos anussim uma vez que a exigência explícita de "conversão" implica que eles não são judeus de modo algum e que, assim sendo, não deveriam ter permissão para contar em um minián ou para receber uma aliá na Torá. Este responsa é extremamente confusa. Não há precedente na tradição judaica legal para uma pessoa por um lado ser tratada como completamente judia e explicitamente capaz de cumprir as exigências judaicas legais ao lado de outros judeus, e por outro lado ser tratada como não-judia e ser obrigada a "passar por conversão plena", ao desejar se casar um judeu. A teshuvá de Eliahu se enquadra bem na estrita tradição haláchica ashkenazí relativa ao retorno dos anussim. Figuras ashkenzazis legais de Rashi ao Rama, ao reconhecerem a condição judaica dos anussim, exigem que eles passem por rituais idênticos aos exigidos para um convertido ao judaísmo. Eliyahu se remete à responsa sefaradí de Solomon ben Simon Duran (1400-1467). Porém, ele só aceita a responsa de Duran na medida em que declara que o anús deve ser "aceito com bondade", e como a base do conceito de que a cerimónia deveria ser a de retorno em vez de conversão. Ele rejeita a opinião básica de Duran, e de fato a de todas as demais autoridades sefaradís medievais, que exigem os rituais de conversão. Estas duas respostas representam a soma total do pensamento rabínico moderno que eu pude encontrar ao examinar o retorno dos anussim à comunidade judaica. Porém, eles não representam todas as respostas haláchicas possíveis e legítimas às exigências para o retorno dos anussim.
Examinaremos agora outra abordagem, minha sugestão pessoal, sobre uma resposta haláchica adequada para esta pergunta. Conforme verificado acima, ambas as responsas rabínicas existentes seguem exigências ashkenazís estipuladas no que diz respeito ao retorno dos anussim. Todavia, a comunidade que retorna não é de ashkenazi, mas de sefaradi. É sabido que as vivências históricas das duas comunidades não foram idênticas, e não deveria ser surpreendente, portanto, que as respostas haláchicas para situações discrepantes também não sejam idênticas. Isto ocorre graças ao fato de que a halachá é, por natureza, situacional e dinâmica, em vez de universal e estática (estas abordagens discrepantes e as razões para as mesmas foram examinadas no trabalho que apresentei ano passado). Por isso eu acredito que é apropriado nos voltarmos inicialmente para a responsa haláchica dos rabinos sefaradís em vez dos ashkenazís, uma vez que eles escreviam para, e basearam-se nas realidades da comunidade à qual estamos nos referindo. Em essência, a pergunta que faremos poderia ser reformulada para: "Será que os aussim em processo de retorno devem se submeter aos rituais de conversão antes de receberem permissão para participar plenamente como parte da comunidade judaica como um todo?" Nós examinaremos então, em princípio, a exigência aos anussim vis-a-vis as leis de conversão. Tradicionalmente, a conversão ao judaísmo (para judeus conservadores e ortodoxos) é composta de três (para um homem) ou dois (para uma mulher) passos essenciais, conforme esboçados no Shulchan Aruch Yorê Deá 268, escrito por Iossef Caro. Um homem convertido deve passar por Brit Milá, Tevilá e Cabalát Mitsvá, ou seja, ser circuncidado, ser imergido em uma micvá, e aceitar o jugo dos mandamentos na presença de um Bet Din (um tribunal de pelo menos três rabinos - tecnicamente exige-se de um Bet Din testemunhar todos os aspectos da conversão, mas Caro declara que, na prática, se o Bet Din estiver presente apenas na Aceitação das Mitsvot, a conversão permanece válida). Da mulher exige-se que passe por tevilá (imersão) e Cabalát Mitsvá (aceitação das mitsvot). Todos estes passos são necessários ou a conversão é considerada inválida; a única excepção é que se um homem já for anteriormente circuncidado, então se retira uma gota de sangue, em um ritual denominado hatafát dám brit. Também é tradicional repelir por três vezes o convertido potencial, e hoje a maioria dos rabinos requer um período extenso de estudo, por um ano ou mais, antes que os rituais de conversão possam ser executados. Cada passo do ritual, conforme estão apresentados no Shulchan Aruch, será examinado em relação ao retorno dos anussim. O primeiro passo da conversão é a exigência de repelir o convertido potencial. O Shulchan Aruch registra que se deve dizer a um convertido: "Você não sabe que os israelitas são um povo oprimido e menosprezado?". Se ele ainda desejar se converter, então será aceito e o processo é iniciado. Este passo do processo de conversão está ausente das fontes ashkenazís e sefaradís. Não há qualquer exigência para repelir um anús em processo de retorno, uma vez que ambas as responsas ashkenazís e sefaradís medievais reconhecem a conexão histórica doa anussim à comunidade judaica. Após resistir ao desestímulo, o prosélito será educado na lei judaica como preparação para o cabalát mitsvá, a aceitação do jugo da lei. A cabalát mitsvá será feita na presença de um Bet Din. É interessante notar que Caro não exige que o prosélito passe por uma educação detalhada da lei; em vez disso, ele ou ela somente serão educados nos fundamentos da observância e da convicção judaicas. As fontes sobre os anussim apresentam uma interessante variedade de abordagens relativas à exigência da educação e da cabalát mitsvá. As fontes ashkenazís silenciam sobre a exigência para educação, mas universalmente exigem cabalát mitsvá. Mas as fontes sefaradís declaram explicitamente que nenhuma educação ou cabalát mitsvá é necessária. Nas palavras de Solomon ben Simon Duran: "Uma vez que está claro que estes (anussim) não devem ser considerados prosélitos, nós então não precisamos lhes enumerar todos os mandamentos e suas punições (como deve ser feito a um gentio que deseja se tornar um prosélito). Isto é óbvio, uma vez que se você fosse lhe dizer que (como você faria com um candidato gentio para conversão), se ele (o anús) não desejar aceitar os mandamentos, nós o afastaríamos e ele estaria livre delas como se fosse um gentio - Deus proíba que isto sequer passe pela mente. Porque ele já tem o pleno dever de cumpri-los da mesma maneira que nós". Duran explica que a educação e a aceitação das mitsvot são desnecessárias porque o anús já é, nas suas palavras, parte da casa de Israel. Após o ensino das mitsvot, o próximo passo no processo listado por Caro é a tevilá, a imersão na micvá. Tradicionalmente o prosélito imerge uma vez, recita as brachót (bênçãos) apropriadas e então imerge mais uma ou duas vezes. Todas as fontes ashkenazís exigem que um anús em processo de retorno passe por tevilá. Fontes sefaradís, de Rambám (Maimônides) em diante sustentam que a imersão é desnecessária. Duran declara: "Uma vez que ele (o anús em processo de retorno) é um israelita, não precisa do banho ritual". O estágio final da conversão mencionada pelo Shulchan Aruch como parte de conversão é o brit milá, a circuncisão. A circuncisão de um prosélito será acompanhada pela brachá: "Baruch atá Adonai, Elohênu Melech Haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu lamul et guerim (Abençoado és Tu, Adonai, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificaste com Tuas mitsvot e nos ordenaste a circuncisão dos prosélitos)". Caro acrescenta que se o candidato já é circuncidado então deve ser feita a hatafát dám brit. Brit Milá é traduzido literalmente como Sinal do Pacto, e é uma mitsvá obrigatória para todos os homens judeus. Assim, todas as fontes exigem que os anussim em processo de retorno sejam circuncidados ou façam hatafát dám brit. A maior parte das fontes silencia sobre o teor da brachá, mas Duran declara que as mesmas brachot usadas para os homens recém-nascidos no brit milá no oitavo dia devem ser usados para os anussim em processo de retorno. São estas: "Baruch atá Ad-nai, Elohênu Melech Haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu al hamilá (Abençoado és Tu, Ad-nai, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificaste com Tuas mitsvot e nos ordenaste sobre a milá)", antes da circuncisão, e "Baruch atá Ad-nai, Elohênu Melech Haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu lehachnissô bevritô shel Avraham Avinu (Abençoado és Tu, Adonai, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificaste com Tuas mitsvot e nos ordenaste inseri-lo [o anús] no Pacto do nosso Patriarca Abrahão)". Embora a circuncisão seja exigida tanto para o prosélito quanto para o anús, e de facto para qualquer homem judeu não circuncidado, o teor da brachá é novamente uma indicação do status pleno do anús como membro do povo judeu.
Duas Perguntas Finais: Sinceridade e Descendência Há duas perguntas finais que devem ser feitas. Será que devemos nos preocupar com a sinceridade da conversão inicial ao catolicismo pelo antepassado do anús na Espanha dosséculos XIV e XV, e deveríamos aceitar apenas aqueles anussim que podem demonstrar descendência matrilinear até... eu imagino que até Moshé Rabênu? Antigas autoridades sefaradís, tais como o Rivash, rabino Itschac ben Shesht, exigiram que fossem feitas cuidadosas avaliações dos anussim em processo de retorno (Responsa 11). Eles acreditavam que só aqueles que foram convertidos violentamente e que nunca abraçaram o cristianismo com qualquer grau de sinceridade deveriam ser aceitos de volta à comunidade judaica. Shesht declara que há dois tipos de anussim, "aqueles que escolheram a conversão, abandonaram o jugo da Torá, cortaram os elos da Torá deles mesmos, e de própria vontade seguem os caminhos dos idólatras e estão transgredindo todas as mitsvot da Torá", e "aqueles que teriam deixado a Espanha, mas foram incapazes de fazer isso... e tiveram o cuidado de não se sujarem com a impureza dos pecados, excepto em tempos e lugares de perigo". O primeiro grupo, com efeito, não era mais parte do povo judeu, e seus membros tornaram-se inelegíveis como testemunhas, enquanto os do segundo grupo permaneceram como judeus e cashercomo testemunhas. A responsa do Rivash tratava apenas daquelas pessoas que fizeram as escolhas iniciais relativas à conversão (ao cristianismo). Isto não dizia respeito aos filhos destes. Mais tarde as autoridades rabínicas sefaradís se dirigiram aos descendentes destes anussim e não fizeram qualquer distinção entre os dois grupos do Rivash, uma vez que mesmo os filhos destes anussim que caíram no primeiro não eram responsáveis pelas decisões dos seus pais. Sadaya ibn Danan e outras autoridades sefaradís igualam os filhos como filhos judeus criados por gentios, portanto sem qualquer culpa pela prática cristã dos seus pais. A resposta para a segunda destas duas perguntas é mais complexa. Por mais de dois milénios os judeus traçaram a sua identidade religiosa/nacional pela linha matrilinear. Todavia, exigir isto dos anussim é, essencialmente, uma placa dizendo "não entre" - a não ser por uma conversão plena no sentido pleno da palavra. Porém, a responsa sefaradí provê um meio de criar umatalho. Enquanto Duran, que por outro lado oferece uma das mais liberais responsas sefaradís, declare que os anussim que podem traçar uma linha materna devem ser aceitos "até o fim de todas as gerações". Ibn Danan é muito mais liberal neste ponto. Danan declara que "nenhum cuidado especial deveria ser tomado para investigar a genealogia dos anussim, sobre a mãe dele ou dela era judia". Também deve se destacar que quase todas as responsas sefaradís tornam quase uma obrigações receber os anussim de volta. Duran declara: "Nós não devemos aterrorizá-lo ou confundi-lo, mas atraí-lo a nós com bondade, porque ele está de pé como nós sob o juramento feito no Sinai". Danan de fato captura os sentimentos modernos dos anussim ao declarar: "Se os marranos", diz ele, "são considerados gentios e aqueles que querem retornar são considerados prosélitos, o desejo deles de retornar à comunidade judaica será enfraquecido... os marranos não devem ser recebidos como estranhos, mas como irmãos. Eles devem ter o sentimento de que estão voltando para casa... de fato, dentro da linhagem todo o povo de Israel são irmãos. Nós todos somos filhos de um pai. O jugo da lei ainda está nos ombros deles e jamais pode ser removido deles". Iossef Caro, em Bet Iossef, declara que os anussim "não devem ser desencorajados de forma alguma de retornarem ao judaísmo". Alguns rabinos modernos têm exigido ketubot (documento matrimonial judaico) ou outros documentos como instrumentos de prova da identidade judaica dos anussim. Não se pode estar em sã consciência achar que aqueles que mantêm a sua identidade oralmente e por actos devam ser punidos quando o material escrito estava nas mãos do opressor (por exemplo, o governo real espanhol ou o Santo Tribunal da Inquisição). A ironia neste caso foi que o opressor estava de posse dos registros exigidos por alguns rabinos. Mais adiante, conforme destacado por Hordes, a própria existência destes registros é precária, em geral desaparecida ou destruída com o passar do tempo. Os seguintes factores extra-haláchicos também devem ser levados em conta. A história de perseguição e segredo dos anussim são conhecidas há mais de 600 anos. Então o seguinte pode ser demonstrado claramente: 1) Os anussim tem sido um segmento identificável, ainda que oculto, da comunidade judaica por mais de meio milênio. 2) Os anussim consideram-se parte do povo judeu apesar do perigo e apesar de estarem apartados do mundo judeu. Os anussim também têm mantido uma notável dedicação aos ensinamentos e rituais da tradição judaica o máximo que podem, apesar do perigo e do isolamento. E a comummente severa resposta da comunidade judaica é uma pobre retribuição para uma sobrevivência assim tão heróica diante da perseguição, do medo e do teste do tempo. Baseado na discussão acima, segue a minha opinião. Devido à história particular dos anussim que mantiveram a sua identidade, convicções e práticas judaicas secretamente e em geral colocando-os em risco, e a partir das palavras do rabino Solomon Duran, os anussim devem sempre ser considerados parte do povo judeu; nenhuma cerimónia é necessária de conversão é necessária, tampouco é necessário investigar a genealogia dos anussim em processo de retorno para demonstrar uma clara linha matrilinear de descendência. Porém, é aconselhável prover e encorajar a educação contínua de adultos assim como fazemos para todos os judeus, de forma que os anussim em processo de retorno podem exercer um papel pleno na vida sinagogal. Também pode ser útil desenvolver um ritual de retorno dentro da congregação como uma forma de celebração e formalização do retorno.
Como todos os homens judeus, aqueles anussim que desejam retornar devem ser circuncidados ou passar por hatafát dám brit, usando as mesmas bênçãos utilizadas para o brit milá no oitavo dia após o nascimento de um menino judeu.
É uma obrigação de todos os judeus alcançar os nossos irmãos e irmãs da comunidade de anussim a fim de facilitar o retorno à comunidade judaica de todo aquele que desejar retornar.
David Kunin é rabino do Templo Ohr Shalom em San Diego, uma congregação com muitos membros cripto-judeus
sábado, 21 de janeiro de 2012
Quem foi Maimônides: O Rambam?
"De Moshê a Moshê, nunca houve alguém como Moshê."
1135-1204 (4895-4965)
Vida
No decorrer da história, houve alguns pensadores cuja influência sobre as gerações que os sucederam continua evidente até os dias de hoje.
Rabi Moshê ben Maimon (Maimônides) ou simplesmente Rambam como é mais conhecido, foi uma destas figuras.
Maimônides nasceu em 1135, na cidade de Córdoba, na Espanha, então sob domínio muçulmano. A cidade era um grande centro cultural, onde muçulmanos, judeus e cristãos conviviam e participavam ativamente da vida pública.
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| Rambam - Coisas Judaicas |
Em 1148, no entanto, foi tomada pelos Almohads, que pregavam a restauração da fé pura Islâmica. Os judeus que não se converteram foram expulsos. Rabi Maimon, pai de Maimônides e líder da comunidade judaica de Córdova, levou sua família de cidade em cidade no sul da Espanha durante a próxima década, à medida que os Almorávidas gradualmente varriam o país. Os comentários de Maimônides sobre os dois Talmud, o de Jerusalém e o da Babilônia, bem como seus primeiros tratados, foram compostos durante aqueles anos de perseguição.
Em 1159 chegaram a Fez, Marrocos, onde permaneceram por cinco anos. Maimônides estudou medicina e Torá durante este período, onde também compilou a maior parte de seu trabalho para o comentário da Mishná. Trabalhando às vezes sob condições difíceis, ele era com freqüência forçado a trabalhar de memória, condensando e esclarecendo as longas explicações talmúdicas da Mishná, sem ter o texto à sua frente.
Em 1164, a perseguição religiosa forçou a família a sair também de Fez. Após passarem pela Terra Santa, Rabi Maimon e sua família chegaram a Fostad, no Egito (antigo Cairo) em 1166, o ano do falecimento de Rabi Maimon. Durante os cinco anos que se seguiram, a família foi sustentada pelo irmão de Maimônides, David, permitindo que Maimônides começasse a trabalhar em sua obra Mishnê Torá. Em 1171, no entanto, David morreu num naufrágio, e Maimônides passou a exercer a medicina como forma de sustentar a família. Foi nesta conjuntura que ele deu início àquilo que mais tarde se tornaria uma carreira de sucesso como médico, chegando a servir como médico pessoal do Grande Vizir Alfadhil e do Sultão Saladin.
Por volta de 1177, as obras eruditas de Maimônides tinham se tornado tão respeitadas que foi convidado a ser Rabino Chefe do Cairo, uma comunidade judaica grande e influente. Apesar dessas responsabilidades, ele completou a Mishnê Torá logo depois e, dez anos mais tarde, seu Guia para os Perplexos.
Maimônides faleceu em 1204, em Fostat, e foi enterrado em Tiberíades, Israel.
Datas e Eventos
1135 (4895 após a criação do Mundo) – 14 de Nissan, nasce Moshê ben Maimon em Córdova, Espanha.
1148- (4908) – Os almohávidas, seita muçulmana fanática da África do Norte, captura Córdova. A família Maimon foge e começa um período de onze anos de andanças pelo sul da Espanha e norte da África.
1158/61 (4918-4921) – O Rambam começa a escrever o seu "Comentário Sobre a Mishná".
1159 (4919) – A família Maimon se estabelece em Fez, capital do Marrocos.
1162/63 (4922-4923) – O Rambam compõe e propaga a "Igueret Hashmad" (Epístola sobre a Apostasia).
1164-65 (4924/4925) – A família Maimon deixa Fez e percorre a Terra Santa.
1165-68 (4925-4928) – O Rambam completa seu "Comentário sobre a Mishná".
1166 (4926) – A família Maimon deixa a Terra Santa e se estabelece em Alexandria, no Egito
1166 (4926) – Falece Rabi Maimon, pai do Rambam.
1167/70 (4927-4930) – O Rambam começa a escrever o "Sefer HaMitsvot" e o "Mishnê Torá".
1169 (4929) – O Rambam escreve e envia a "Igueret Teiman" aos judeus do Iêmen.
1171 (4931) – Rabi David, irmão do Rambam, morre afogado num naufrágio.
1171 (4931) – O Rambam se estabelece em Fostad, Egito, onde vive pelo resto da sua vida.
1171/74 (4931-4934) – Fim do califado de Fatimide. Saladino torna-se Rei do Egito.
1177 (4937) – O Rambam é nomeado Rabino-Mor pela comunidade judaica do Cairo.
1177/80 (4037-4940) – O Rambam termina de escrever o Mishnê Torá.
1186 (4946) – 28 de Sivan, nasce o filho do Rambam, Rabi Avraham.
1186/90 (4946-4950) – O Rambam termina o "More Nevuchim" – o "Guia dos Perplexos".
13 de dezembro de 1204 – 20 de Tevêt de 4965 – O Rambam falece e é sepultado na Cidade Santa de Tiberíades, em Israel.
Mishnê Torá
Por volta do século XII da era comum, cerca de 700 anos depois que o Talmud da Babilônia tinha recebido seu formato final, havia se desenvolvido uma vasta população de judeus para quem seus argumentos, muitas vezes sutis, eram inacessíveis. Sem as explicações talmúdicas, era difícil entender corretamente a linguagem condensada da Mishná.
Rabi Yitschakl Alfasi (o Rif) deu o primeiro passo para tornar as explicações mais acessíveis, selecionando opiniões autorais e a passagem legal relevante do Talmud, dispensando as discussões mais elaboradas e as seções de casos. Em seu formato final, a compilação do Rif foi uma tremenda realização – poucos eruditos tinham o conhecimento e a percepção necessária para estudar todo o material talmúdico para chegar às leis definitivas. Seguindo a mesma organização do Talmud – com suas freqüentes, às vezes abruptas mudanças de assunto – no entanto, a obra do Rif não era de fácil consulta àqueles que não eram bem versados no Talmud.
Maimônides procurou remediar esta deficiência compondo um código organizado por tópicos.
Mishnê Torá, é composta de 14 livros que contêm 982 capítulos e milhares de leis. Dividiu sua obra em catorze livros, com cada livro dividido em capítulos e cada capítulo desmembrado em discussões de leis individuais.
Esforçou-se para criar um código no qual o regulamento sobre um assunto específico pudesse ser prontamente localizado. Colecionando todas as legislações bíblicas, talmúdicas e pós-talmúdicas, e destacando as opiniões mais abalizadas, ele incluiu toda a gama da Lei Judaica – mesmo aquelas leis que, segundo a tradição, não serão novamente praticadas até a Era de Mashiach (tais como as referentes aos sacrifícios no Templo). Para facilitar o acesso e a leitura, Maimônides escolheu apresentar as leis em seu código sem referência a suas fontes ou explicações de seu arrazoado (ambos foram subseqüentemente fornecidos por outros comentaristas).
Sua intenção, em resumo, foi fornecer um código de leis que, em suas palavras, permitiriam que "nenhum homem teria de recorrer a qualquer outro livro sobre qualquer assunto da Lei Judaica, mas que o compêndio conteria toda a Lei Oral". Portanto, ele decidiu chamá-la Mishnê Torá (Segundo à Torá). E de fato, a partir de sua publicação, a reação à obra foi extraordinária.
Estudada e consultada por judeus de todas as partes, a Mishnê Torá logo foi aclamada como a obra mais notável da erudição judaica desde o Talmud.
Escrita em linguagem clara e cuidadosamente elaborada, tornou-se um modelo de composição sucinta e concentrada. (Comentaristas posteriores se referem à redação das obras de Maimônides como "linguagem de ouro"). Única em seu escopo, sem par em sua composição, a obra tem se mantido como o alicerce para todas as codificações da Lei Judaica desde então.
Guia para os Perplexos
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| Guia para os Perplexos - Coisas Judaicas |
No seu livro "Guia dos Perplexos", o Rambam mostra o caminho certo para o indivíduo. Apesar de sempre preocupar-se com o bem-estar da comunidade e do povo em geral, ele sabia muito bem que às vezes o indivíduo não se adapta às regras gerais. Por isso escreveu o livro como uma orientação para a vida.
Durante a vida de Maimônides, muitos judeus observantes tinham sentido atração pelas obras dos antigos filósofos gregos, uma influência que era popular dentre os eruditos árabes da época.
Enfrentando conflitos entre as concepções aristotélica e judaica do mundo, estes judeus se tornaram perturbados e abalados em sua fé. Preocupado com essa confusão e temendo suas potenciais conseqüências, Maimônides compôs seu Guia para elucidar sistematicamente a filosofia básica e os dogmas religiosos do Judaísmo.
O Guia não foi direcionado ao judeu descrente, mas explicitamente projetado para judeus eruditos e devotos. Como escreve Maimônides em sua introdução: "O objetivo desse tratado é esclarecer um homem religioso que foi treinado a acreditar na verdade de nossa sagrada Lei, que conscientemente cumpre seus deveres morais e religiosos, e ao mesmo tempo tem obtido sucesso em seus estudos filosóficos."
O Guia é dividido em três partes. A primeira é dedicada a discussões dos equívocos que podem surgir diretamente do texto da Torá – aparentes contradições escriturais, antropomorfismos de D’us, e similares. O segundo ataca problemas que brotam das incompatibilidades entre as abordagens "científica" (Aristotélica) e bíblica a D’us e ao mundo, e analisa extensivamente a legitimidade de aplicar o raciocínio aristotélico a questões de religião e da Torá. A seção final do Guia está voltada a temas mais gerais, fundamentalmente religiosos: a natureza do bem e do mal, o propósito do mundo, o significado por trás dos Mandamentos, o caráter da pura devoção. Infelizmente, a linguagem filosófica na qual o Guia é composto tem levado a um mau entendimento das intenções de Maimônides. Perfeitamente cônscio dessas dificuldades em potencial, Maimônides deixa claro em sua introdução que o Guia deve ser lido com muito cuidado:
"Aquilo que escrevi nesta obra não foi a sugestão do momento; é o resultado de profundo estudo e grande aplicação… Não o leia superficialmente, para não me ofender, e não extraia benefício para si mesmo. Você deve estudar extensivamente e ler sempre."
Alguns dos mais notáveis comentaristas rabínicos clássicos na verdade indicaram que muitos dos conceitos que Maimônides discute estão baseados em profundas opiniões do Zôhar, o texto básico do misticismo judaico. Deve-se enfatizar que embora muito filosófico e científico, o Guia permanece profundamente enraizado na Torá. Maimônides via a ciência e a filosofia como auxílios ao entendimento das Leis de D’us, em vez de um fim em si mesmas.
Apesar desses mal entendidos que se seguiram à publicação e ao fato de ter uma platéia específica, a influência do Guia foi profunda, tanto no círculo judaico quanto no não-judaico. Indiscutivelmente o mais comentado dos tratados filosóficos de todos os tempos, possui mais de trinta comentários em hebraico cujos autores são conhecidos e grande número de outros comentários escrito por autores cujos nomes se perdeu.
Traduzido em praticamente todos os idiomas europeus, é citado extensivamente nas obras de Aquino, Bacon e outros. O mais significativo, porém, é que o Guia foi responsável por abrir uma nova era de investigação judaica em questões de filosofia, servindo tanto como pedra fundamental quanto como um catalisador para obras subseqüentes em seu gênero.
Os Treze Princípios de Fé
O Rambam faz parte da vida dos sábios e dos eruditos, quando todos os dias se elevam ao mergulhar na profundidade de seus livros. Mesmo as pessoas menos instruídas são influenciadas pelo Rambam, através dos 13 Princípios da Fé, formulados por ele.
Esses princípios da fé judaica versam sobre as virtudes, a fidelidade e a fé na eternidade da Torá e na breve vinda de Mashiach – todos estes valores tiveram e têm um papel importante na complementação espiritual de nosso povo. Esta prece representa a grandeza da obra do Rambam, pois ele conseguiu penetrar no intelecto e no coração de todos os judeus; do mais erudito ao mais afastado dos conhecimentos da Torá.
Cada um dos 613 preceitos da Torá serve para:
Transmitir atitudes apropriadas
Remover concepções errôneas
Estabelecer legislação
Eliminar a perversidade e a injustiça
Imbuir no indivíduo virtudes exemplares
Deter a pessoa perante as más inclinações.
Os Treze Princípios da Fé – segundo Maimônides "Ani Maamin" – Creio plenamente:
Creio plenamente que D’us é o Criador e guia de todos os seres, ou seja, que só Ele fez, faz e fará tudo.
Creio plenamente que o Criador é um e único; que não existe unidade de qualquer forma igual à d’Ele; e que somente Ele é nosso D’us, foi e será.
Creio plenamente que o Criador é incorpóreo e que está isento de qualquer propriedade antropomórfica.
Creio plenamente que o Criador foi o primeiro (nada existiu antes d’Ele) e que será o último (nada existirá depois d’Ele).
Creio plenamente que o Criador é o único a quem é apropriado rezar, e que é proibido dirigir preces a qualquer outra entidade.
Creio plenamente que todas as palavras dos profetas são verdadeiras.
Creio plenamente que a profecia de Moshê Rabeinu é verídica, e que ele foi o pai dos profetas, tanto dos que o precederam como dos que o sucederam.
Creio plenamente que toda a Torá que agora possuímos foi dada pelo Criador a Moshê Rabênu.
Creio plenamente que esta Torá não será modificada e nem haverá outra ortorgada pelo Criador.
Creio plenamente que o Criador conhece todos os atos e pensamentos dos seres humanos, eis que está escrito: "Ele forma os corações de todos e percebe todas as suas ações" (Tehilim 33:15).
Creio plenamente que o Criador recompensa aqueles que cumprem os Seus mandamentos, e pune os que transgridem Suas leis.
Creio plenamente na vinda do Mashiach e, embora ele possa demorar, aguardo todos os dias a sua chegada.
Creio plenamente que haverá a ressurreição dos mortos quando for a vontade do Criador.
Maimônides na Medicina
O Rambam extraiu seu conhecimento medicinal do próprio Talmud. Os nossos sábios, há milhares de anos, já conheciam regras medicinais que ainda agora estão sendo descobertas. A própria Torá nos adverte para cuidarmos da saúde de nosso corpo. É proibido aceitar a falsa linha de que, como D’us deu a doença, somente por Ele deve ser curada. Ao contrário, no Judaísmo é uma mitsvá curar os doentes e vencer as moléstias; a salvação de uma vida é superior a tudo. Maimônides escreveu: "É proibido uma pessoa se expor ao perigo de modo proposital."
A Halachá tem uma grande influência sobre os conceitos do Rambam na Medicina. Sua famosa oração do médico é plena de fé e convicção da influência Divina sobre a Medicina. Ele acreditava plenamente nesta influência sobre o corpo, onde alma e o corpo são indivisíveis.
Rambam sempre confiou muito no Médico Celestial, que acompanha o médico terrestre. O ponto principal de Rambam é que somente por meios físicos não se pode curar um doente. O corpo anda de mãos dadas com a alma e são necessárias forças espirituais para curar as doenças. As boas virtudes foram colocadas por Rambam no mesmo nível dos remédios, pois um completa o outro. Segundo a linha do Rambam, a pessoa que mortifica propositadamente seu corpo é um pecador, pois está fazendo a alma sofrer. Ele declarava que a força do corpo está ligada ao espírito e que todas as doenças se refletem no espírito da pessoa. Na sua linguagem: "Para os irados, sua vida não é vida."
Suas opiniões são válidas ainda atualmente, apesar de terem já se passado centenas de anos.
Podemos conhecer um pouco de Rambam como médico através da leitura do texto conforme aparece em uma de suas cartas:
"Moro em Fostat e o Sultão reside no Cairo; estes dois locais estão a cerca de 2km de distância. Minhas obrigações para com o Sultão são muito pesadas. Tenho de visitá-lo todos os dias, de manhã cedo; e quando ele ou algum dos filhos, ou as pessoas do harém, estão indispostos, não ouso sair do Cairo, porque devo permanecer a maior parte do dia no palácio. Também acontece freqüentemente que um ou dois dos oficiais da corte adoecem, e devo cuidar de sua cura.
Portanto, em geral, vou ao Cairo bem cedo pela manhã e se nada de extraordinário acontece, só volto a Fostat no fim da tarde.
"A esta altura, estou quase morrendo de fome. Encontro as antecâmaras repletas de gente, judeus e gentios, nobres e pessoas comuns, juizes e meirinhos, amigos e inimigos – uma multidão variada, que espera pela minha volta. Desmonto de meu animal, lavo as mãos, vou até meus pacientes, peço a eles que esperem enquanto como alguma coisa, a única refeição que faço em vinte e quatro horas. Então atendo meus pacientes, prescrevo receitas e orientações para suas diversas doenças. Os pacientes entram e saem até o anoitecer, e às vezes até, eu lhe asseguro solenemente, oito horas da noite. Converso e receito deitado, de pura fadiga, e quando a noite chega estou tão exausto que mal posso falar.
"Em conseqüência disso, nenhum israelita pode ter qualquer entrevista privada comigo, exceto no Shabat. Naquele dia toda a congregação, ou pelo menos a maior parte, procura-me depois do serviço matinal, quando então os instruo sobre seus procedimentos durante a semana inteira; estudamos juntos um pouco até meio-dia, quando vão embora. Alguns deles voltam, e lêem comigo depois do serviço vespertino até as Preces Noturnas. Assim passo o dia. Aqui relatei a você apenas uma parte daquilo que verá quando me visitar."
Oração do médico
Autoria atribuída a Maimônides:
"Ó D’us, Tu formaste o corpo do homem com infinita bondade; Tu reuniste nele inumeráveis forças que trabalham incessantemente como tantos instrumentos, de modo a preservar em sua integridade esta linda casa que contém sua alma imortal, e estas forças agem com toda a ordem, concordância e harmonia imagináveis. Porém se a fraqueza ou paixão violenta perturba esta harmonia, estas forças agem umas contra as outras e o corpo retorna ao pó de onde veio. Tu enviaste ao homem Teus mensageiros, as doenças que anunciam a aproximação do perigo, e ordenas que ele se prepare para superá-las.
"A Eterna Providência designou-me para cuidar da vida e da saúde de Tuas criaturas. Que o amor à minha arte aja em mim o tempo todo, que nunca a avareza, a mesquinhez, nem a sede pela glória ou por uma grande reputação estejam em minha mente; pois, inimigos da verdade e da filantropia, ele poderiam facilmente enganar-me e fazer-me esquecer meu elevado objetivo de fazer o bem a teus filhos.
"Concede-me força de coração e de mente, para que ambos possam estar prontos a servir os ricos e os pobres, os bons e os perversos, amigos e inimigos, e que eu jamais enxergue num paciente algo além de um irmão que sofre. Se médicos mais instruídos que eu desejarem me aconselhar, inspira-me com confiança e obediência para reconhecê-los, pois notável é o estudo da ciência. A ninguém é dado ver por si mesmo tudo aquilo que os outros vêem.
"Que eu seja moderado em tudo, exceto no conhecimento desta ciência; quanto a isso, que eu seja insaciável; concede-me a força e a oportunidade de sempre corrigir o que já adquiri, sempre para ampliar seu domínio; pois o conhecimento é ilimitado e o espírito do homem também pode se ampliar infinitamente, todos os dias, para enriquecer-se com novas aquisições. Hoje ele pode descobrir seus erros de ontem, e amanhã pode obter nova luz sobre aquilo que pensa hoje sobre si mesmo.
"D’us, Tu me designaste para cuidar da vida e da morte de Tua criatura: aqui estou, pronto para minha vocação."
Ensinamentos
Filosofia
Os filósofos opinam que Maimônides influenciou muito o pensamento da Filosofia e da Medicina. Graças a ele, a teoria de Aristóteles foi aceita na Filosofia em geral na Idade Média. O Rambam criou uma síntese entre a Filosofia e a Medicina, aprofundando-se em ambas, analisando-as de maneira aguda e crítica. Os seus ensinamentos sobre estas matérias vieram a ser conhecidos mesmo nos ambientes não judaicos. Suas obras foram traduzidas do original árabe para o ladino e outros idiomas daquela época. Em muitas universidades estas obras ainda são estudadas.
Ciência
No mundo científico, o Rambam foi intitulado de "O Aristocrata Espiritual", mas para nós, ele tem um título maior e mais elevado, "O Mestre de Nosso Povo". Seus ensinamentos destinam-se não somente aos gigantes em erudição, mas também às pessoas simples, pois a estas ele doou inteiramente sua alma. Estava sempre atento aos interesses das mesmas, em todos os países onde viveu.
O Talmud
Em seu outro trabalho monumental, o Rambam declara que para entender as leis do Talmud são necessárias três coisas: um intelecto amplo, paz de espírito e muito tempo. Ele viu que o Talmud, a principal obra orientadora do povo judeu, tinha ficado além do alcance da maioria do povo. Isto se deveu a abordagem de temas complexos ali expostos, aliado às dificuldades e sofrimentos dos judeus que não possuiam o tempo e a calma para absorver seu vasto e profundo conteúdo. O Rambam sentiu também que os talmudistas estavam diminuindo em número e assim, havia o grave perigo de o povo esquecer a Torá, sem a qual a vida de um judeu não tem sentido.
Dedicou então todos seu profundo conhecimento para desvendar os segredos da Torá tornando-os acessíveis e de fácil compreensão a todos, escrevendo grande parte de suas obras em outros idiomas, especialmente o árabe, que na época era a língua corrente no sul da Europa, norte da África e em todo o Oriente. Sua primeira obra, a Explicação da Mishná, também é chamada de "Livro da Iluminação", pois ilumina os olhos dos leigos.
Antes de chegar aos vinte e três anos, Maimônides tinha completado um tratado sobre o Calendário Judaico, uma dissertação sobre lógica, e um compêndio legal do Talmud de Jerusalém.
As mitsvot
Maimônides não exige que o indivíduo se eleve acima da capacidade do seu intelecto, mas quer que desenvolva os dons naturais para usá-los da melhor maneira possível. Nos orienta a usar "um caminho de ouro", as mitsvot, boas ações, que nos abre os olhos para encontrar o verdadeiro caminho até D’us e Sua Torá.
A finalidade do Rambam era elevar o povo mesmo nos momentos mais difíceis, abrir amplamente as portas a todos os judeus para que pudessem estudar e compreender o Talmud, tanto os adultos como as crianças. É interessante notar como ele se expressa ao falar das leis do shofar: "Por causa da elasticidade do exílio e dos fortes sofrimentos, caiu a lei de como deve ser o toque do shofar, Deve ele representar um gemido profundo ou um suspiro normal?"
Nessa observação o Rambam demonstra sua atitude para com a Halachá, e descreve aqui algo muito profundo. O exílio está repleto dos gemidos judaicos; nós passamos por dois tipos de exílio: o espiritual e o físico. No espiritual, sofre a alma judaica, e no exílio físico é o corpo judaico que sofre. O sofrimento espiritual vem pela profanação do Shabat, pela falta de Cashrut e pelos decretos contra a nossa religião que os nosso inimigos impõem. O sofrimento físico são as torturas e perseguições. O shofar deve transmitir para D’us os dois tipos de gemidos, o físico e o espiritual.
Astrologia
Maimônides estudou profundamente o assunto antes de emitir sua opinião onde foi um dos poucos que ousaram levantar sua voz contra a crença quase universalmente aceita do poder dos corpos celestes de influenciar o destino humano. Ele denunciava a astrologia como uma superstição próxima à idolatria, rejeitando-a categoricamente e a outras práticas supersticiosas.
Na sua famosa carta à comunidade do Iêmen, Maimônides declara: "Eu noto que vocês estão inclinados a acreditarem na astrologia e na influência das conjunções passadas e futuras dos planetas sobre os assuntos humanos. Deveriam tirar tais noções de seu pensamento…"
Maimônides investiu fortemente contra a astrologia, denunciando-a como um engodo que é subversivo contra a fé e os ensinamentos do Judaísmo. Ele escreve na Ética dos Pais: "Aprofundei-me neste assunto para que você não acredite nas idéias absurdas dos astrólogos, que asseguram falsamente que a posição dos astros no momento do nascimento da pessoa determina se ela será virtuosa ou perversa."
Amuletos
Desde os tempos mais antigos, as pessoas têm tentado afastar desgraças, doenças ou "maus espíritos" usando sobre o próprio corpo pedaços de papel, pergaminhos ou discos de metal, gravados com várias fórmulas que deveriam proteger ou curar o usuário. Tais artefatos são conhecidos como amuletos. Maimônides, contrário à considerável parte da opinião rabínica na Idade Média, opõe-se rigorosamente a tais práticas. Ele argumenta contra a tolice dos escribas dos amuletos e contra o uso de objetos religiosos (tais como o Rolo da Torá) para a cura de doenças.
Humanismo:
Em seus ensinamentos, o Rambam não deixa de lado nenhum detalhe da vida humana. Fala da vida particular, da vida familiar, do relacionamento entre as pessoas e destas com a coletividade. Comenta os deveres que nós, judeus, temos para com os países onde vivemos e as responsabilidades do governo com os cidadãos.
Mashiach:
Ele também escreveu um código especial para o reino de Israel, para ser usado quando chegasse a época da Redenção. Este código regula toda a vida do país ligando o reino inferior ao Reino Celestial (superior) – uma visão da Era Messiânica, quando todos se comportarão com uma ética mais elevada aplicada a vida diária.
Capítulo 11
… e todo aquele que não acredita no Mashiach, ou que não aguarda sua vinda – está não apenas contestando os outros profetas, mas a própria Torá e Moshê Rabênu. (Lei 1)
Maimônides via a ciência e a filosofia como auxílios ao entendimento das Leis de D’us, e não um fim em si mesmas.
… ao levantar-se um rei da Casa de David estudioso da Torá e dedicado às mitsvot (preceitos) de acordo com a Torá Escrita e Oral, como seu pai David – e ele levará todo o povo de Israel a seguir a Torá; ele a fortalecerá e lutará pelas causas de D’us – certamente deve tratar-se de Mashiach. Se for bem-sucedido, reconstruirá o Santuário em seu lugar e reagrupará os dispersos de Israel (na terra de Israel) – com toda a certeza será o Mashiach. Ele retificará o mundo no sentido de todos servirem juntos a D’us. (Lei 4)
Capítulo 12
Não pense que na Era Messiânica se anulará algo dos costumes e da natureza do mundo, ou que haverá qualquer novidade na obra da Criação. Na realidade, o mundo seguirá o seu caminho… o que ocorrerá é que Israel será estabelecido para sempre… todos os povos retornarão à verdadeira fé; não furtarão, nem prejudicarão… (Lei 1)
Disseram nossos Sábios: "Não há diferença entre este mundo (esta época) e a Era Messiânica, exceto que não seremos mais subjugados por outros povos". O que transparece literalmente das palavras dos Profetas é que no início da Era messiânica haverá a guerra de "Gog e Magog"; e antes dela se levantará um profeta que encaminhará Israel e preparará o seu coração…
A pessoa só saberá como serão todos estes acontecimentos quando ocorrerem, pois são fatos ocultos nos livros dos profetas… (Lei 2)
Os sábios e os profetas não ansiavam pela Era Messiânica para dominar o mundo, dominar as nações ou para que fossem honrados pelos povos, tampouco para ter em abundância alimento, bebida e festividades. Desejavam, sim, a Era Messiânica a fim de ficarem livres para se dedicar à Torá e à sua sabedoria, sem que houvesse qualquer domínio ou obstáculo, pois seria esse estudo que os levaria a merecer a vida no Mundo Vindouro… (Lei 4)
Na Era Messiânica não haverá fome, guerra, inveja ou concorrência – pois o bem existirá em profusão e todas as delícias serão abundantes como o pó da terra. O mundo se dedicará, apenas e tão somente, ao conhecimento de D’us. Portanto os integrantes de Israel serão grandes sábios e conhecedores dos fatos ocultos, e captarão o conhecimento do Criador, de acordo com a capacidade humana, como foi dito: "Pois a terra estará repleta do conhecimento de D’us, como as águas cobrem o leito dos mares" (Yeshayáhu 11:9). (Lei 5)
Em um Siyum (Encerramento do Estudo) da obra "Yad Hachazacá" ou Mishnê Torá de Rambam, o Lubavitcher Rebe, Rabi Menachem Mendel Schneerson, forneceu a seguinte explicação por que Maimônides, ao definir esta época, cita o versículo completo: "… como as águas cobrem os mares":
Da mesma forma que nos mares existem peixes e outros seres aquáticos que são distintos da composição do mar (apesar de sua existência estar completamente condicionada e dependente do mar), assim também existe a possibilidade de o ser humano conhecer D’us, apesar de ele e D’us serem duas entidades distintas.
Porém, as águas que cobrem a superfície do mar na realidade representam sua própria essência, sendo que elas são a única coisa visível, completamente integradas ao mar. De maneira similar, disse o Rebe, Maimônides descreve a Era Messiânica como sendo repleta do conhecimento Divino "como as águas que cobrem os mares" ou seja, a única coisa visível no mundo seá o conhecimento Divino. As criaturas estarão integradas ao Criador, sendo que a única existência no mundo será o conhecimento Divino.
Conselhos práticos de Rambam
Disposições Morais
Todo ser humano possui diversos temperamentos, cada um distinto do outro. Há um tipo irascível e que está sempre zangado; outro é tranqüilo e quando chega a irritar-se, o faz brandamente, uma vez em muitos anos. Há indivíduos que são exageradamente arrogantes, e outros extremamente humildes. Existem ainda os sensuais, cujos desejos nunca podem ser satisfeitos, e os de coração puro, que não anseiam pelas poucas coisas que o corpo necessita. Há também os gananciosos, cuja alma não se satisfaz nem com todo o dinheiro do mundo; os frugais, que ficam contentes mesmo com uma pequena quantia. Embora não suficiente para suas necessidades. Há aqueles que se torturam pela fome – são avaros, e não consomem um centavo do que é seu, sem grande angústia. E há os que desperdiçam intencionalmente todo seu dinheiro.
Os outros temperamentos, tais como o frívolo e o melancólico, o cruel e o compassivo, o brando e o duro de coração e assim por diante, podem ser vistos de maneira similar.
Seguir qualquer um dos extremos de cada temperamento não é o caminho certo. O correto é a tendência intermediária de cada um deles, dos quais o homem é dotado. Não se deve ser uma pessoa irada, facilmente irritável, tampouco apática, que nada sente: o melhor é ficar no meio. O indivíduo deve ficar irado somente por alguma coisa grave, pela qual seja apropriado zangar-se, a fim de que tal fato não se repita. Igualmente, não se deve cobiçar algo além daquilo que o corpo necessita, e sem o qual é impossível sobreviver. Não se deve ser miserável demais e nem esbanjar o dinheiro. A pessoa deve fazer caridade de acordo com seus recursos e emprestar àquele que necessita. Não se deve ser frívolo demais, nem demasiado triste e lamentoso; deve-se porém ser agradável, contente e cordial todos os dias da vida. O mesmo se aplica aos outros temperamentos.
A pessoa cujos temperamentos são intermediários e segue o caminho do meio é chamada de sábia.
Bom caráter e conduta ética são fatores essencias num ser humano, em seu comprimento dos preceitos Divinos. Uma pessoa deve ser escrupulosa em sua conduta, delicada ao conversar, agradável aos seus semelhantes, recebê-los de maneira afável e cortês, conduzir seus assuntos comerciais com integridade e honestidade, e dedicar-se ao estudo da Torá.
Valor da Vida Humana
Para salvar uma vida humana, todos os 613 preceitos da Torá, com exceção de três (ver abaixo) podem ser postos de lado, se necessário. Assim, se alguém está perigosamente enfermo, e os médicos asseguram que o paciente pode ser curado pelo uso de um remédio que implica a transgressão de um mandamento bíblico, este deve ser aplicado.
Onde a vida está em perigo, qualquer coisa proibida pela Torá pode ser usada para curar o paciente, exceto a prática de idolatria, incesto e assassinato. Entretanto, não se pode sacrificar uma vida humana para salvar outra, mas o Shabat pode ser profanado; comida não-casher pode ser consumida e pode-se ingerir alimentos mesmo em Yom Kipur. A base para esse princípio é a declaração escritural de que "Ele viverá por eles" (Vayicrá 18:5), que nos ensina que devemos viver pela Torá e não morrer por ela. Este princípio é aplicável não somente nos casos de perigo de vida, mas também nos de perigo em potencial.
Seguem alguns exemplos: uma mulher em trabalho de parto, e pouco depois o parto é considerado como fazendo parte da categoria dos perigosamente doentes. Todos os preceitos são suspensos, se necessário, em seu benefício. Se uma mulher morre de parto, é permitido, e até obrigatório, fazer uma cesariana no Shabat, na tentativa de salvar a criança. Mesmo que o perigo de vida não seja uma doença física, mas uma ameaça externa, como no caso de uma vítima de afogamento, ou alguém preso numa casa incendiada, deve-se fazer todo o possível para salvá-la.
A doença mental e emocional, perigosa ou potencialmente perigosa, é vista do mesmo modo que a doença física, como no caso de uma criança trancada num quarto e que pode morrer de medo se não for salva. Para resgatar alguém de um prédio que desmorona, mesmo que esteja quase morto, mas com chances de sobreviver, é permitido profanar o Shabat. Estes regulamentos indicam claramente que o valor da vida humana é ilimitado e que cada um dos seus momentos é valioso.
Regras Básicas de Saúde
Banho
A pessoa não deve tomar banho imediatamente após uma refeição ou quando estiver com muita fome, mas sim quando o alimento começar a ser digerido.
Deve-se lavar a cabeça somente com água bem quente. Com relação ao corpo, inicia-se sua lavagem com água quente, diminuindo a temperatura aos poucos até terminar com água fria.
Sono
É suficiente para um indivíduo dormir oito horas diárias. Este sono deve terminar no final da noite, de modo que desde o começo do sono até o nascer do sol passem-se oito horas. Assim, ele se levantará da cama antes de o sol nascer.
A pessoa não deve dormir de bruços ou de costas, mas sobre o seu lado esquerdo, no começo da noite, e no fim dela, do lado direito. Não se deve deitar para dormir logo depois de comer, esperando algumas horas depois de uma refeição.
Prisão de ventre
Uma pessoa não deve adiar suas necessidades fisiológicas nem por um momento; estas devem ser cumpridas imediatamente. Aquele que as contêm pode acarretar sobre si doenças graves, pondo sua vida em risco. O homem deve, ao contrário, habituar seus movimentos intestinais a horários regulares para não constranger-se na presença de outros.
Quando alguém tem prisão de ventre, se for jovem: pela manhã deve comer alimentos salgados cozidos e temperados com azeite de oliva, ou salmoura, sem pão; ou tomar água do espinafre ou repolho cozidos, misturada com azeite de oliva e salmoura. Se for idoso, deve tomar mel misturado à agua morna pela manhã, e esperar umas quatro horas para fazer a primeira refeição. Isso deve ser repetido por três a quatro dias, se necessário, até regularizar o intestino.
Nutrição e Dieta
Um corpo frágil não digere bem os alimentos, mesmo os mais saudáveis, portanto devemos sempre dosar a quantidade do alimento (segundo a nossa força ou fraqueza), escolhendo a qualidade dos mesmos conforme a constituição do corpo.
Uma pessoa não deve comer a não ser quando estiver com fome, nem beber a não ser quando tiver sede; também não deve comer até o estômago ficar repleto, mas sim consumir aproximadamente uma quarta parte de sua capacidade.
Uma pessoa deve se alimentar somente após ter caminhado antes da refeição, para o corpo ficar aquecido, executar algum trabalho físico ou se cansar por algum tipo de esforço. Se depois do exercício ela se lavar com água morna, tanto melhor. Deve-se esperar um pouco e só então comer. Não se deve comer antes de verificar se precisa executar as necessidades fisiológicas.
Ao comer, a pessoa deve sempre estar sentada ou reclinada sobre o lado esquerdo. Não deve andar, montar a cavalo, exercitar-se ou agitar o corpo, nem passear até que o alimento seja digerido.
A pessoa, ao se alimentar, deve sempre começar com algo leve e depois continuar com os alimentos mais pesados. Nos meses quentes deve-se comer alimentos refrescantes e não usar temperos excessivos, exceto vinagre. Nos meses chuvosos ou frios, deve consumir alimentos quentes, temperar abundantemente a comida e comer um pouco de mostarda e assafétida. É desta forma que os alimentos devem ser preparados nos climas quentes e frios.
Não é adequado empanturrar-se como um cão esfomeado, nem engolir uma bebida fria quando se tem sede como alguém que está subitamente ardendo em febre, bebendo o conteúdo do copo de uma só vez. Ainda mais importante é que não se estende a mão em vão ao alimento, especialmente doces e similares, que são chamados de "comidas de glutão".
Tomar água fria antes de começar as refeições é danoso à digestão e ao fígado. Não se deve beber água durante as refeições, a não ser um pouco e misturada ao vinho. Quando o alimento começa a ser digerido pode-se tomar água na medida da necessidade, mas não em excesso.
A mais saudável das águas potáveis é aquela que não tem sabor nem odor. Estas águas são as que mais saciam e as mais agradáveis. Todas aquelas que fluem numa direção oriental sobre areia limpa e ficam rapidamente aquecidas são as mais adequadas para beber.
Perigos Ambientais
As carcaças de animais, túmulos e curtumes devem ser instalados à distância de uma cidade. Um curtume deve ser construído do lado leste da cidade, porque o vento oriental é suave e diminui os odores desagradáveis produzidos pela curtição dos couros.
Os malefícios provocados pela fumaça, o odor dos aparelhos sanitários, poeira em excesso, máquinas que causam trepidação do solo, são motivos para que a parte prejudicada processe o seu vizinho a fim de obrigá-lo a remover os causadores dos danos até uma distância adequada.
Qualquer pessoa que deseje preservar sua saúde deve levar em consideração, em primeiro lugar, a água limpa e uma dieta saudável. O ar urbano é poluído, turvo e denso, resultado natural dos prédios altos, ruas estreitas e do lixo dos seus moradores.
A pessoa deveria, se possível, escolher como residência um local amplo e arejado. As melhores moradias estão localizadas num andar mais alto, onde entra bastante sol. Os sanitários devem ficar o mais longe possível das salas de estar. O ar deve ser conservado seco e agradável, usando-se perfumes suaves através de desodorantes especiais. A preocupação com o ar puro é a regra primordial na preservação do corpo e da alma.
Alcoolismo
Não se deve exagerar no vinho e na folia, pois a embriaguez excessiva e a leviandade não levam ao júbilo, mas sim à loucura. Para algumas pessoas, vinho de safra nova faz mal, ao passo que vinho velho faz bem.
(Escritores de muitos países, nos últimos séculos, têm comentado a relativa sobriedade dos judeus. Estatísticas relativas a prisões por embriaguez, psicoses relativas ao álcool têm se mostrado menos representativas entre os judeus. Um dado repetido em muitos estudos é que mais judeus do que outros grupos étnicos ou religiosos consomem bebidas alcoólicas, mas proporcionalmente menos judeus são alcoólatras. Uma das explicações para esta baixa incidência de alcoolismo entre os judeus se refere à precoce iniciação das crianças no uso ritual do vinho, que acrescenta uma nota cerimoniosa à refeição, elevando-o, deste modo, de uma necessidade biológica a um ato singularmente humano, pelo qual o judeu reconhece a presença de D’us à mesa. Tais atitudes precoces podem prevenir excessos subseqüentes na ingestão de bebidas alcoólicas.)
Matrimônio
O matrimônio no Judaísmo é um mandamento Divino (Devarim 12:13). Suas finalidades incluem a procriação, o companheirismo, a auto-realização e também a aquisição de um estado de santidade que surge ao se evitar o pecado i.e., o sexo ilícito fora do matrimônio.
Para cumprir o mandamento bíblico: "Frutificai e multiplicai-vos" (Bereshit 1:28; 9:1-7; 35:11), um homem deve ter pelo menos um filho e uma filha. Entretanto, os sábios aconselharam ter mais filhos.
O homem não pode se casar com uma mulher incapaz de ter filhos, a menos que ele já tenha cumprido o mandamento da procriação. Ele nunca deve casar-se com a intenção de divorciar-se depois.
Um homem é obrigado a prover sua esposa de alimento (i.e., manutenção), vestuário (incluindo jóias e perfumes) e direitos conjugais. Num matrimônio judaico, acima da questão da procriação, existem os direitos conjugais da esposa, tecnicamente designados "ona". Assim, a relação não procriativa, como ocorre quando a mulher é jovem demais para ter filhos, estéril, está grávida, pós-menopausa, ou após uma histerectomia, não só é permitida como é requerida.
Os sábios ordenaram que o homem deve honrar sua esposa mais que a si mesmo, e amá-la como a si mesmo. Se tiver posses, deve aumentar sua generosidade de acordo com sua riqueza; não deverá causar-lhe medo indevido; ao falar com ela deve ser gentil e não deve ser propendo à ira ou à melancolia.
Também ordenaram que, por sua vez, a esposa deve honrar o marido e reverenciá-lo; deve-se organizar seus afazeres de acordo com as suas instruções. Ele deverá parecer a seus olhos tal como um príncipe ou rei, enquanto ela se conduzirá de acordo com os desejos de seu coração e se manterá afastada de tudo que a ele for odioso.
Este é o caminho das filhas e dos filhos de Israel, que são santos e puros em seu relacionamento, e sua vida conjugal é louvável.
As Relações
O homem para ser perfeito deve ter controle completo sobre seu desejo sexual, alimentar ou de bebida, para não impedir o desenvolvimento de sua perfeição. A moderação no sexo, como em todas as esferas das atividades biológicas humanas, é recomendada. No Judaísmo, a aversão pela libidinagem e prostituição é bem enfatizada.
Sempre que o sêmen é emitido em excesso, o corpo fica esgotado e sua força diminui. Aquele que se excede estará sujeito ao envelhecimento precoce, esgotamento físico e enfraquecimento da visão.
O sexo pré-marital é proibido. O homem deverá primeiro levar sua futura esposa para dentro do seu próprio lar e designá-la como exclusivamente sua, através da cerimônia nupcial. Se ela for virgem, ele se alegrará com ela, participando de refeições festivas durante a primeira semana, sem trabalhar. (Esta é chamada a semana de "sheva berachot".) Se for viúva ou divorciada, deverão ter as "sheva berachot" durante três dias.
No casamento, a relação não somente é permitida, como faz parte das obrigações do marido para com a mulher, e deve ocorrer com o consentimento de ambos.
Quando um homem procura sua esposa, não deve fazê-lo no começo da noite, quando está saciado; nem no fim da noite, quando está faminto. Ele deve coabitar no meio da noite, quando o alimento já tiver sido digerido. Primeiramente deve conversar com sua esposa e diverti-la um pouco, a fim de deixá-la descontraída; depois ter a relação, com modéstia, carinho e atenção, sem imprudência.
O Ritual da Circuncisão
Esse mandamento não foi prescrito com vistas a reparar o que pode ser congenitamente imperfeito, mas para aperfeiçoar moralmente o ser humano.
A circuncisão tem outro significado, muito importante: todos aqueles que acreditam na unicidade de D’us possuem um sinal corporal que os une. O homem executa esse ato no seu filho somente em conseqüência de uma crença genuína.
É também conhecido o quanto amor e ajuda mútua existem entre as pessoas que ostentam o mesmo sinal, formando para elas uma espécie de aliança. A circuncisão é uma aliança feita por Avraham, nosso pai, com vistas à crença na unicidade de D’us, como está escrito: "Para ser um D’us para ti e para tua semente depois de ti" (Bereshit 17:7). Esta é uma forte razão para a causa da circuncisão – talvez seja ainda mais forte do que a primeira.
A circuncisão é realizada no oitavo dia, porque os seres vivos são muito frágeis e excessivamente tenros ao nascer, como se ainda estivesse no útero. (Maimônides parecia estar aludindo ao que hoje é reconhecido como icterícia, que pode se manifestar nos primeiros dias de vida).
A circuncisão no oitavo dia evita o sangramento que pode ocorrer na primeira semana de vida, devido a deficiências no fator de coagulação, permitindo a maturação do sistema de conjugação dos pigmentos da bílis.
Crueldade contra animais
A crueldade gratuita contra animais é proibida pela Lei Judaica, uma proibição que os Sábios deduziram da Torá. Quem impedir um animal de se alimentar enquanto estiver trabalhando estará sujeito a punição. Ademais, se o animal estiver sedento, a obrigação é dar-lhe de beber.
Entretanto, se aquilo que o animal estiver ingerindo for danoso ao seu organismo e lhe fizer mal, será permitido impedi-lo de comer. De fato, o animal deverá ser alimentado antes mesmo do ser humano, no entanto quando se refere à sede, o ser humano tem prioridade.
Shechita (abate ritual)
O mandamento referente ao abate de animais é necessário, pois o alimento natural do homem consiste de plantas derivadas de sementes que crescem na terra e da carne dos animais. Os melhores tipos de carne são aqueles que nos são permitidos (i.e., casher). Nenhum médico ignora este fato.
Como a necessidade de obter bons alimentos requer que os animais sejam mortos, a meta é matá-los da maneira mais branda possível. É proibido torturá-los de modo a perfurar a parte abaixo de sua garganta ou decepar um de seus membros. É igualmente proibido abater o "animal e o seu filhote no mesmo dia" (Vayicrá 22:28), sendo esta uma medida de precaução para não matar a cria diante da mãe, pois nestes casos os animais sentem uma dor intensa, idêntica à do ser humano.
Citações de Rambam
"A verdade não se torna mais verdadeira porque o mundo inteiro concorda com ela, nem menos verdadeira, mesmo que o mundo inteiro discorde dela".
More Nevuchim II:15
"O alicerce de todos os fundamentos e princípios básicos da Torá, e o pilar de todas as sabedorias é: compreender que há um Ser Supremo que traz todo ser criado para a existência. Todas as coisas existentes – no céu, na terra, e o que há entre eles – resultaram somente a partir da verdadeira existência de D’us. Se imaginássemos que Ele não existe, nada mais poderia ter existência."
Parágrafo inicial do Mishnê Torá
"Há coisas que estão dentro do âmbito e da capacidade de apreensão da mente humana; há outras que o intelecto não pode, de maneira alguma, captar – as portas da percepção estão fechadas."
More Nevuchim I:31
"Compete-nos amar e temer a D’us, pois está escrito: ‘Amarás o Senhor teu D’us’ (Devarim 6:5) e ‘Temerás o Senhor, teu D’us’ (Devarim 6:13).
Como se chega a amar e temer a D’us?
Quando alguém reflete sobre as grandes e maravilhosas obras de D’us e Suas criaturas, percebendo nelas a infinita e ilimitada sabedoria Divina, ele será levado a amar, exaltar e glorificá-Lo, ansiará por conhecer o Onipotente… Ao meditar mais sobre estes assuntos, ele recuará atemorizado, compreendendo que é uma criatura ínfima, dotada de inteligência limitada, e que está na presença d’Aquele que é perfeito no saber…"
Mishnê Torá, Yessodei Hatorá, II:1-2
Comentário final
Nas áreas da lei e da filosofia, as contribuições de Maimônides ao pensamento judaico são ímpares. Seu Comentário à Mishná, Mishnê Torá e Guia Para os Perplexos são cada qual um marco na história do pensamento judaico. De fato, a extensão da influência de Maimônides sobre eruditos de épocas posteriores talvez seja melhor expressa pelo dito que está gravado sobre sua tumba em Tiberíades em Israel: "De Moshê (Moisés) a Moshê (Maimônides), nunca houve ninguém como Moshê."
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